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Felipe Mago e Zé da Mala em "Quando o teatro é verdade..."

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Felipe Mago e Zé da Mala. Um é trovão, o outro brisa. Mago chama as pessoas no ato, cara a cara, Zé da Mala envolve o público com a delicadeza e o encanto das palavras que pronuncia com tanta candura. Tão diferentes, trabalham juntos e falam a mesma língua: a do teatro de rua. As personalidades dos personagens parecem se confundir com as dos atores. Felipe é Felipe mesmo, 24 anos, firme na voz, olhar vibrante e muita lenha queimando dentro de si. Zé da Mala é Gabriel Bandarra, 21 anos, do tipo cavalheiro, cortês, tranqüilo no olhar e na voz . A dupla de amigos trabalha com o gênero de teatro mais antigo da história. Aliás, o teatro nasceu mesmo foi nas ruas, mas isso é outra história... Os dois se apresentam nos ônibus (geralmente as linhas que cortam Costa Azul e Ondina), largos, bares (principalmente no Rio Vermelho), faculdades, centros de cultura, pontos turísticos e onde mais precisar de arte em Salvador e adjacências. Felipe Mago, vestido de roupa imperial (o rei da inquietud...

Fluxo de memória

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*Imagem: Heitor dos Prazeres. A casa era pequena, mas só fisicamente. A cada momento chegavam mais pessoas e, todos cabiam confortavelmente. Inexplicável. Era noite de música por lá e, mesmo sabendo disso, a festa me surpreendeu. Não esperava toda aquela movimentação. A casa é um bar alternativo, localizado em um dos bairros mais boêmios de Salvador: o Rio Vermelho. O nome? Casa da Mãe. Nada mais coerente do que Casa da Mãe para ser o nome daquele lugar tão pequeno, mas que, sem esforço algum, conseguia acolher todos que chegavam. Como coração de mãe. Sempre cabe mais um. Dividida em ambientes, a Casa da Mãe aposta na arquitetura e decoração simples. Sem luxo algum. Era noite de sarau. Artistas baianos, a maioria esquecida pela grande mídia, se encontravam ali, e, sem ensaio, cantavam e tocavam músicas aleatórias. Aleatórias, será? Tinha muita emoção nas vozes. Dor. Solidão. Tristeza. Beleza. Isso tudo aparecia no momento em que cantavam Dalva de Oliveira. "Ai ioiô, eu nasci pra ...

Arcanjo de sanfona nas mãos

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Luiz Manoel Arcanjo, 65 anos, é piauiense e chegou a Salvador em 1972. Ele, uma mala pequena onde estavam as coisas mais importantes da sua vida até aquele ano, a sua sanfona e o sonho de poder viver da música com mais amparo e possibilidades profissionais. Para o ex-lavrador, o palco mais acessível e democrático que encontrou foram os transportes coletivos urbanos e até hoje é neles que se apresenta todos os dias, faça chuva ou sol. Luiz, o sanfoneiro, tem uma particularidade a mais, é deficiente visual desde que nasceu, e isso, segundo ele, nunca o atrapalhou. É um senhor muito simpático, de bem com a vida e muito carismático. Hoje, transformou-se em um personagem dos ônibus da capital baiana. É Luiz, o ceguinho sanfoneiro. Morador do bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, Luiz sai de sua casa, onde mora sozinho, e percorre toda a cidade, com a sanfona a tira a colo. “A capital já ficou pequena pra mim”, diz o músico. Mesmo não tendo a visão que precisa para ler o destino d...