Postagens

Apenas (e basta!) Bahia

Imagem
Em Saubara - Ba A Benção, Bahia (Vinícius de Moraes e Toquinho) Olorô, Bahia Nós viemos pedir sua bênção, saravá! Hepa hê, meu guia Nós viemos dormir no colinho de lemanjá! Nanã Borokô fazer um Bulandê Efó, caruru e aluá Pimenta bastante pra fazer sofrer Bastante mulata para amar Fazer juntó Meu guia, hê Seu guia, hê Bahia! Saravá, senhora Nossa mãe foi-se embora pra sempre do Afojá A rainha agora É Oxum, é a mãe Menininha do Gantois Pedir à mãe Olga do Alakêto, hê Chamar Inhansã para dançar Xangô, rei Xangô, Kabueci-elê Meu pai! Oxalá, hepa babá! A bênção, mãe Senhora mãe Menina mãe Rainha! Olorô, Bahia Nós viemos pedir sua bênção, saravá! Hepa hê, meu guia Nós viemos dormir no colinho de lemanjá!

Felipe Mago e Zé da Mala em "Quando o teatro é verdade..."

Imagem
Felipe Mago e Zé da Mala. Um é trovão, o outro brisa. Mago chama as pessoas no ato, cara a cara, Zé da Mala envolve o público com a delicadeza e o encanto das palavras que pronuncia com tanta candura. Tão diferentes, trabalham juntos e falam a mesma língua: a do teatro de rua. As personalidades dos personagens parecem se confundir com as dos atores. Felipe é Felipe mesmo, 24 anos, firme na voz, olhar vibrante e muita lenha queimando dentro de si. Zé da Mala é Gabriel Bandarra, 21 anos, do tipo cavalheiro, cortês, tranqüilo no olhar e na voz . A dupla de amigos trabalha com o gênero de teatro mais antigo da história. Aliás, o teatro nasceu mesmo foi nas ruas, mas isso é outra história... Os dois se apresentam nos ônibus (geralmente as linhas que cortam Costa Azul e Ondina), largos, bares (principalmente no Rio Vermelho), faculdades, centros de cultura, pontos turísticos e onde mais precisar de arte em Salvador e adjacências. Felipe Mago, vestido de roupa imperial (o rei da inquietud...

Sentar e ver. Só ver.

Imagem

Antíteses

Imagem
Pequeno com atitude de grande. Franzino, mas com olhar forte, robusto, provocante. Marquinhos, menino de seis anos, é filho da "moça que cuida do banheiro", como ele mesmo informa, quando pergunto-lhe quem é a sua mãe. Afinal, estranhei ao vê-lo sozinho, naquele lugar tão movimentado. Um formigueiro, onde marchavam milhares de velas acesas, em direção ao monumento que retratava, em tamanho descomunal, o Padre Cícero. "Padim Padi Ciço", como a maioria ali se referia ao líder religioso que habitou Juazeiro do Norte, na quente e rica Ceará. Marquinhos tinha uma função. Ficar por ali, a espera dos romeiros que, talvez, lhe dariam algumas moedas. Ou não. Tão pequeno e com a responsabilidade de garantir, nem que seja, em pouca quantidade, dinheiro que se transformaria, ao juntar-se com o que sua mãe contraísse no trabalho, no jantar dele e do seu irmão. Marquinhos exibia uma expressão muito atraente. Atraente, principalmente, para a lente da minha máquina fotográfica. A f...

Fluxo de memória

Imagem
*Imagem: Heitor dos Prazeres. A casa era pequena, mas só fisicamente. A cada momento chegavam mais pessoas e, todos cabiam confortavelmente. Inexplicável. Era noite de música por lá e, mesmo sabendo disso, a festa me surpreendeu. Não esperava toda aquela movimentação. A casa é um bar alternativo, localizado em um dos bairros mais boêmios de Salvador: o Rio Vermelho. O nome? Casa da Mãe. Nada mais coerente do que Casa da Mãe para ser o nome daquele lugar tão pequeno, mas que, sem esforço algum, conseguia acolher todos que chegavam. Como coração de mãe. Sempre cabe mais um. Dividida em ambientes, a Casa da Mãe aposta na arquitetura e decoração simples. Sem luxo algum. Era noite de sarau. Artistas baianos, a maioria esquecida pela grande mídia, se encontravam ali, e, sem ensaio, cantavam e tocavam músicas aleatórias. Aleatórias, será? Tinha muita emoção nas vozes. Dor. Solidão. Tristeza. Beleza. Isso tudo aparecia no momento em que cantavam Dalva de Oliveira. "Ai ioiô, eu nasci pra ...

A gaita do amolador

Se tem um som que me lembra a infância, esse é o da gaita do amolador de tesouras. Pouco se ouve nos dias de hoje, mas, por sorte, nesse momento, ele invadiu a minha rua.

Arcanjo de sanfona nas mãos

Imagem
Luiz Manoel Arcanjo, 65 anos, é piauiense e chegou a Salvador em 1972. Ele, uma mala pequena onde estavam as coisas mais importantes da sua vida até aquele ano, a sua sanfona e o sonho de poder viver da música com mais amparo e possibilidades profissionais. Para o ex-lavrador, o palco mais acessível e democrático que encontrou foram os transportes coletivos urbanos e até hoje é neles que se apresenta todos os dias, faça chuva ou sol. Luiz, o sanfoneiro, tem uma particularidade a mais, é deficiente visual desde que nasceu, e isso, segundo ele, nunca o atrapalhou. É um senhor muito simpático, de bem com a vida e muito carismático. Hoje, transformou-se em um personagem dos ônibus da capital baiana. É Luiz, o ceguinho sanfoneiro. Morador do bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, Luiz sai de sua casa, onde mora sozinho, e percorre toda a cidade, com a sanfona a tira a colo. “A capital já ficou pequena pra mim”, diz o músico. Mesmo não tendo a visão que precisa para ler o destino d...

No bar Toalha da Saudade...

O melhor é que nada era ensaiado. Quando menos esperasse podia encontrar os meninos dos Novos Baianos fazendo um show particular ou o sambista Riachão cantando os seus sambas, com seu jeito malandro. Como também, era provável acontecer de não encontrar ninguém fazendo música. Só a presença de Batatinha já era de bom tamanho. Todas as pessoas que freqüentavam aquele espaço, quase escondido no pacato, embora hoje marginalizado, bairro dos Aflitos, dizem que a energia era boa e a cerveja gelada. E mais uma unanimidade: todos descreveram a gentileza, a simplicidade e o jeito acolhedor daquele sambista, nascido e criado na Rua 3 de maio, no Pelourinho e portador de uma bela imaginação e criatividade.

Poesia cantada

Imagem
“(...) Quando eu vi Que o Largo dos Aflitos Não era bastante largo Pra caber minha aflição, Eu fui morar na Estação da Luz, Porque estava tudo escuro Dentro do meu coração.” ( trecho de Augusta, Angélica e Consolação , Tom Zé)

Leveza do ser

Ser sensível é ser. Nada mais além disso. E ser, por mais vulnerável que pareça, é muito mais gratificante.

Um filme na tela mental

Imagem
Quando entrei na floresta, o clima era do jeito que eu sempre sonhei. Friozinho, cheirinho de mato, som de passarinho cantando e as pernas molhadas quando eu passava entre as moitas úmidas de orvalho. Era começo de manhã. Entre as árvores altas, passava uma luz forte do sol nascente, aquecendo o clima frio deixado pela noite que findava. A terra era bem vermelha, daquela que se pode encontrar nas zonas rurais do sertão. Vermelha e parecia ser muito fértil, já que de longe eu via variados tipos de frutas e flores muito frondosas. O caminho era longo. Na verdade eu não sabia para onde ir. O que importava, naquele momento, era sentir o que a floresta proporcionava: saúde. O dia foi ficando quente e a sede já se fazia presente. De longe, era possível ouvir barulho de água em movimento. Não era uma cachoeira, mas um rio que corria entre as pedras. Cada pedra tinha sua forma. Cada uma, uma cor. Sentei na maior delas, bebi água gelada. As folhas serviram de copo. Eu estava feliz. Continuei a ...

Mosaico de conclusões

O amor é uma aliança secreta onde o ser, o ter e o fazer formam um triângulo que dá asas para que a alma voe até o céu. Cada lado do triângulo serve de apoio para os demais, numa trindade divina. Se não há conflito, então por que escrever é uma luta contínua com a palavra? Escrever também é amor. Esse combate só existe quando o louco não dá conta do seu desequilíbrio. Um homem de visão está sempre à frente de um outro que tem visões, porque é um louco absolutamente bom. * Texto de Flavia e Patricia

Roda, a roda da vida

Alline ficava no berço e lá recebia muitas visitas. Certamente ouvia as mesmas coisas de todas que apareciam. Aquelas coisas que se diz, sempre no diminutivo, para bebês: Fofinha! Bonitinha! Princesinha! Além dos diminutivos, outros comportamentos também se repetiam, mas nada tão rotineiro do que pedirem um sorriso. E ela ali, tão pequena, deitada, olhando de baixo tantos rostos estranhos, sorria. De tantas visitas que recebia, uma era mais especial. Tão especial que hoje, aos 26 anos, Alline se lembra com muita nitidez e riqueza de detalhes. Essa visita tão marcante era de Fifi, a gatinha da família. Fifi morreu aos 16 anos, quando Alline tinha 17. A gata faz falta, mas deixou muitos descendentes. Todos acolhidos pela família, de geração a geração. No lugar de Fifi está Ornella, Cindy e por aí vai. Só as visitas ao berço não puderam continuar, afinal a princesinha de São José do Rio Preto crescia, acompanhando as gerações da família felina. Filhos, netos e bisnetos de Fifi. Hoje Allin...

Oscar Niemeyer - A vida é um sopro

Imagem
"O fudido não tem vez" Oscar Niemeyer Arquitetura, filosofia, arte, política, poesia, etc.... ASSISTAM!!!

Sem máscaras

Imagem
Eduardo Coutinho, nome de referência no documentário brasileiro, em seus trabalhos, nos ensina que a melhor maneira de se construir algo é utilizando a simplicidade, deixando o real falar por ele mesmo e, dessa forma, descobrimos que o real liberto é o que mais emociona e causa efeito direto no espectador, aproximando-o do que é produzido. E essa fórmula, ele aplicou no documentário Edifício Master, feito em 2002. O documentário conta a história de vida de moradores de um edifício localizado em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, o Master. Filma-se cada detalhe do ambiente: corredores e os apartamentos de cada morador entrevistado, onde são feitas as entrevistas. Ao mesmo tempo em que sabemos que são comuns as histórias contadas e, iguais ao edifício Master, existem tantos outros super habitados, espalhados pelo país, nós, espectadores, nos envolvemos com as narrativas, a ponto de cada história se tornar única e incrivelmente interessante. Essa sensação é atribuída à peculiaridade ...

A vez agora é da Bolívia

Imagem
Grande parte da América Latina, ultimamente, tem dado uma lição de coragem e uma aula de política para todo o mundo. Hugo Chávez iniciou um governo diferente, com convicções socialistas, vindas do “herói das Américas” Símon Bolívar, e não fraquejou diante à forças externas que costumavam barrar idéias ante neoliberais. Forças essas dos Estados Unidos e de todos os seus seguidores. As atitudes do governo venezuelano não estão sendo tomadas sozinhas, pois conta com a ajuda incondicional de Cuba, encabeçada pelo líder socialista Fidel Castro. Essa parceria vem rendendo bons frutos, um deles é a “Alternativa Bolivariana para as Américas”, a ALBA, que recentemente contribuiu para o desenvolvimento social da Bolívia. A ALBA surgiu em dezembro de 2004, em um acordo firmado entre a Venezuela e Cuba. É nada mais do que uma proposta de integração, feita por Chávez, totalmente contrária aos fins da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA. Possui objetivos exclusivamente voltados para a criaçã...

Reflexão

"Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas." Mario Quintana Por isso, leiam bons livros!

Alvorada

Imagem
Cartola Alvorada lá no morro, que beleza Ninguém chora, não há tristeza Ninguém sente dissabor O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo( a alvorada ) Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida Mas o que me resta é tão pouco Ou quase nada, do que ir assim, vagando Nestra estrada perdida. A simplicidade é realmente a tal da poesia. Basta olhar para o sol, ou antes, para a alvorada que anuncia a chegada do dia. Atenção e sensibilidade para ser um poeta, nesta estrada perdida.

Uma pausa para um suspiro

Imagem
Vou procurar uma poesia que traduza nós dois... Foto: Bruno Maciel

Melodia do reencontro

Uma impressão de completude e ao mesmo tempo começando a tornar-me um pouco menos do que eu era antes. Não, não é isso. Ou talvez eu hoje seja outra pessoa e tenha que tratar de resgatar as melhores coisas que me faziam ser o que eu era. Palavras, pensamentos encadeados, idéias, sobre tudo momentos de mim comigo mesma. Concentração, busco a concentração. Apesar disso, mesmo nesse intervalo, retomando a minha consciência, estou inteira. Sou uma estrela que brilha, brilha e ri. Me apegando a minúcias, a um sorriso que também brilha e me alimenta. Quanto ao descompasso das minhas idéias, desprendidas e naturais de mim mesma, este já está se esgotando, e volto à harmonia desorganizada de sempre, e agora com mais vigor. Um samba de idéias.