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Evandro Teixeira em Salvador

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De 15 a 19 de julho, o Instituto Casa da Photographia promove workshop com o fotojornalista Evandro Teixeira. Na ocasião, cada participante poderá aprimorar o conceito de fotojornalismo e terá a oportunidade de produzir sob a orientação de um dos mestres do fotojornalismo brasileiro. Além das aulas teóricas, com apresentação do trabalho de Teixeira, o workshop também oferece saídas fotográficas para ruas de Salvador, a serem escolhidas pelo fotógrafo, e para a cidade de Saubara, na Bahia, para a cobertura da manifestação popular “Caretas de Saubara”. O workshop é voltado para fotógrafos profissionais, amadores avançados, estudantes de comunicação e interessados na arte de fotografar. Para participar, é necessário possuir câmera fotográfica SLR (preferência por digital), ter conhecimentos intermediários de fotografia e saber operar seu equipamento. As inscrições vão até 30 de junho e podem ser feitas na sede do Instituto, no Rio Vermelho, através do e-mail contatos@casadaphotographia.ar...

Na rua

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* Ilustração de Leandro Estevam. A rua tem sido o meu lugar preferido. As pessoas, as que conheço e as que não conheço, a minha melhor companhia. As pessoas, as músicas, os sons da rua. Abandono o carro, deixo ele trancado e me abro. Passo a chave no cadeado de mim mesma, e guardo, para quando eu quiser me trancar. É ai onde mora a liberdade: poder se abrir e se trancar quando quiser. Ter a chave na mão e ser dona dela. E, logo cedo, cedo a palavra para ele, o inventor de música e poesia, que diz: "Na vida, quem perde o telhado Em troca recebe as estrelas Pra rimar até se afogar E de soluço em soluço esperar O sol que sobe na cama E acende o lençol Só lhe chamando Solicitando" (Tom Zé)

Olhar de Pierre Verger, em Tokio

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Dez anos do fatídico 16 de maio

Como jornalista e estudante do ensino médio na época, considero importante lembrar aos nossos leitores que hoje, 16 de maio , é uma data que marca a história política e social de Salvador, pois exatamente há 1o anos , durante manifestações que pediam a cassação dos então senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto em 2007, e José Roberto Arruda (PSDB na época), a Polícia Militar invadiu o campus de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com bombas de gás e agrediu dezenas de estudantes. Na época, em 2001, eu era estudante do 1º ano do ensino médio do Colégio Marista, e consigo hoje, rever na memória aquele momento. Após saber pela mídia, e por amigos, que o Conselho de Ética do Senado tinha acabado de pedir a abertura do processo de cassação dos dois senadores, por terem sido acusados de violar o painel eletrônico de votação durante a cassação de Luiz Estevão, cheguei a mais um dia de aula e encontrei uma movimentação atípica no grêmio. No dia anterior, dia 16, houve ...

De dentro

Vontade de ser. Ser, mais e mais!

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu. Fernando Pessoa.

Uma história da fotografia brasileira

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*Com Nadja Peregrino e Ângela Magalhães. Conhecer o panorama da fotografia brasileira atrelado a questões históricas e estéticas será o eixo central do curso já que, segundo Nadja Peregrino, só se pode entender a fotografia contemporânea quando sabemos que esta faz parte de um contexto histórico: “Precisamos conhecer o campo visual onde a fotografia está inserida, sem isso atuamos em um campo cego. A fotografia não começa em 2011.”, afirma a professora. Sobre isso, Peregrino ainda acrescenta que a relação entre o passado e o presente na fotografia está também visível no trabalho de muitos fotógrafos de hoje, que buscam técnicas mais meticulosas vindas do passado. Durante o curso, além do conhecimento aprofundado e teórico que partirá da descoberta da fotografia brasileira com Hercule Florence até a mestiçagem das linguagens tanto na fotografia quanto nas artes visuais, os participantes também poderão apresentar os seus portfólios para serem comentados em discussões coletivas, podendo...

Memórias de estudante

Ouvir. Prestar atenção. Interessar-se. Isso já faz com que o professor se solidifique na memória de um aluno. Nada demais, nada que exija títulos acadêmicos ou grande reputação. Só precisa enxergar o aluno. Vê-lo e entendê-lo. E professores assim passaram por minha vida escolar. A memória mais remota de sala de aula não está no lápis, na farda e no caderno. O que ficou foi a imagem da professora que, naquele período, início de tudo, era a pró. Alfabetização, a aula acontecendo e o colega ao lado chorando. Derramando pelos olhos a tristeza de não poder ver mais o avô. E a pró parou de falar sobre as vogais e, olhando para cada pequeno, disse “Nós nascemos, crescemos e morremos. Lembram dos animais que pintamos ontem? O sapo, o leão... Todos vão morrer um dia, assim como a gente.” A professora conseguiu acalmar o colega e o desconforto dos outros, assustados com a situação. Ela nos fez entender como acontece e o que é a morte. O mau professor talvez o mandaria para a direção. Ele ent...

Riachão, o malandro pop da Bahia

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Em entrevista com Riachão, na Praça 2 de Julho, no Campo Grande. “O samba pra mim é Deus. Deus é a música e a música é o samba.”, é o que ele acredita .

Sidney Carvalho: em cada samba, um enredo...

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Ele é filho das escolas de samba que desfilavam pelo centro de Salvador, anos atrás. Duas delas, Cacique do Garcia e Grande Família , que saíam do bairro do Garcia, local onde nasceu e vive até hoje, fizeram parte de sua infância, assim como da de muitos soteropolitanos que viveram carnavais com samba-enredo, famílias reunidas, mascarados nas ruas, carros alegóricos… Tradição. E ele estava lá, acompanhando tudo de perto com o seu tio, que era presidente de escola de samba, cargo de muitas responsabilidades e fonte de muitas alegrias também. Por isso tudo, ele cresceu e tornou-se um compositor de sambas. Sambas-canções e sambas-enredos que falam sobre as memórias de tempos bons que marcaram a sua vida. “Só escrevo sobre boas lembranças. As ruins eu não guardo pra mim”, esclarece Sidney Carvalho, 40 anos, dono de uma simpatia contagiante, a qual lhe confere muitos amigos por onde passa. O corpo grande, mãos fortes, voz firme, com timbre alto e imponente contradizem com a delicadeza que ...

Infinito

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Uma chance

Novo. Tudo era novo naquele tempo. A sua idade e o que vinha pela frente. Outro país, novas pessoas ao redor, outra língua, outra cultura, outro mundo. Apesar da novidade optou por registrar a sua presença naquele país em formato de antiguidade. Cartola, bengala, e a imagem em cor de sépia. Tinha 15 anos, mas com alma de lord . Lord dos filmes antigos, em preto e branco, trilha sonora especial, diálogos bem trabalhados. Queria registrar a novidade ali presente na sua vida, também numa roupagem diferente, talvez vestido como sempre quis, mas nunca pode. Afinal tinha 15 anos, vivia no Brasil, e não em um filme antigo. Estava feliz, realizado. No lugar que sempre sonhava estar e vestido como sempre quis estar vestido. Os seus desejos estavam se realizando. Desejo de adolescente, mas que marcou a sua vida. Hoje adulto, ainda guarda a foto que registrou, talvez, o seu verdadeiro eu. Um lord, de cartola e bengala, rodeado de lembranças.

Lentes de dentro

O sol estava aceso. Quente. Mas a sensação térmica era outra. Um pouco fria. Muito burburinho. Cafés, talheres, risadas. Mas o som do violino era o protagonista. O homem grisalho, nariz grande e irradiando simpatia, prendia a minha atenção. Nas mãos dele um violino. Instrumento hipnotizador do seu trabalho. Quando viajamos, as cenas passam a ter mais valor. Passam a simbolizar tudo que desejamos e temos de bom dentro da gente. Se temos uma saudade, certamente encontraremos algo ou alguém por onde passamos, que nos faça lembrar dela. Se desejamos paz ou descanso interior, selecionamos o que vai nos trazer o que queremos. Tudo fica mais proeminente. Como uma tela em alto relevo. O violino, por exemplo, ou melhor, o homem grisalho e o violino. Dupla perfeita. Embora estejamos afastados, sentados em cadeiras com amigos, conversando, o som do violino se destaca. Como na foto, o homem e o violino em primeiro plano, e a mulher, de óculos, com expressão de falante, no fundo. Talvez, na realida...

Riachão, o malandro pop da Bahia

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Limpou as mãos na bermuda e as ofereceu para mim, para um aperto de mão. Estendi as minhas. Acabava de conhecer Clementino. Riachão desabrocharia mais tarde.

Teorias literárias

A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de PiScAdAs. Cada PiScO é um dia. PiScA e mama; PiScA e anda; PiScA e brinca; PiScA e estuda; PiScA e ama; PiScA e cria filhos; PiScA e geme os reumatismos; Por fim PiSCa pela última vez e morre . - E depois que morre? - perguntou o Visconde. - Depois que morre, vira hipótese. É OU NÃO É? Monteiro Lobato.

Porque eu escrevo ou Ensaio sobre mim mesma

Escrever é mesclar criatividade e os sentidos. Todos. Os do corpo físico e de alma... Por isso às vezes credito à minha facilidade , e mais ainda, à vontade de escrever, ao que cultivei e ao que cultivaram em mim. Das cores das tintas pinceladas nos quadros que minha mãe sempre pintou, dos livros coloridos que grudavam em mim, enquanto outras crianças carregavam, a tira colo, ursos de pelúcia, barbies ou minivideogames, eu devo ter sugado criatividade. Os sentidos se desenvolveram, talvez, pela insegurança que carrego, agora em menor proporção. Sentir o que o outro transmite, além de captar o cheiro, o gosto, as cenas e a textura do que me cerca, seja de objetos ou de pessoas, me faz mais segura. Me permite saber por onde e com quem convivo. Essa talvez seja a explicação para o tipo de linguagem que utilizo. Agora o porque que eu escrevo, ainda não consegui compreender. Talvez eu queira mostrar a minha arte, escondida atrás da caneta, do papel, do computador. Afinal, nem sempre os outr...

2º Criatividade na Cor, com Walter Firmo

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Workshop do Instituto Casa da Photographia traz para Salvador um dos maiores fotógrafos coloristas do Brasil De 31 de janeiro a 4 de fevereiro, o fotógrafo carioca Walter Firmo, chega a terras baianas para ministrar a 2ª edição do workshop Criatividade na Cor , realizado pelo Instituto Casa da Photographia. Como sugere o nome, o workshop incentiva a criatividade e o exercício do olhar fotográfico do participante quando propõe a valorização da expressividade junto a utilização das cores para a composição da imagem. As aulas serão teóricas, com projeções de trabalhos de fotógrafos brasileiros e estrangeiros, comentadas e analisadas por Firmo, um dos maiores fotógrafos coloristas do país, além de saída fotográfica em grupo, no dia 2 de fevereiro, data da tradicional Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, sob a coordenação do fotógrafo convidado. Para o encerramento do workshop, cada participante deverá apresentar o material produzido durante a saída fotográfica, que será avaliado por Walt...

A minha coragem

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Era um caminho longo, ruas paralelas, movimento de pessoas de todos os tipos. Terno, calça desgastada, salto alto, tênis e chapéu à la Robin Hood passavam a todo instante. Cada um no seu mundo. Eu andava, dona de mim, certa de meus passos e por onde percorrer. Sentia meu corpo menor do que tudo ao meu redor, mas o melhor era sentir meu corpo pequeno, vencendo aquele caminho tão complicado. A minha fragilidade se dissolve em momentos como esses. Quando eu dependo de mim. A coragem e o orgulho de mim mesma também se fazem presentes quando trabalho. Enquanto escrevo, sentindo a mim, o meu personagem e a história dele e a minha que, no momento do encontro, se confundem. Me orgulho de enfrentar aquele caminho tão longo, de prédios e pessoas maiores do que eu. Tão diferentes de mim. O texto pronto e o caminho vencido são a minha coragem. A pessoa que me orgulho de ser. Aparentemente frágil e maior do que meus desafios.

Cores e imaginação

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A televisão era uma janela para um mundo de cores. Cores que eu mesma escolhia. Enquanto um cavalo de crina vermelha e corpo lilás voava de um plano a outro, através de um arco-íris, eu assistia a essa cena, deitada e muito confortável. Essa imagem provocava em mim uma vontade de criar, de colorir a vida, de fazer o meu próprio mundo. Nada me fazia mais feliz do que acompanhar o cavalo mágico, com lápis de cores, hidrocôs e papéis em branco ao meu redor. Era o meu momento, onde eu era a rainha e o meu cavalo só falava inglês.

Como esquecer um grande amor

* Anna Bárbara de Sá Nestes novos tempos, em que as famílias se diminuem e que a saudade tornou-se regra, virou moda o medo da solidão. De qualquer solidão. Ninguém mais quer estar sozinho, sempre transferindo a mágica porção da felicidade ao outro. Por vezes estive só, mesmo que acompanhada. Não foi nada além de boas tardes. E hoje, neste instante, em que não sinto nada passional, tenho a ligeira impressão de que reconheço a integridade. A minha integridade. Esqueçam essa tal dor de amor que lhes arrebata o peito. Vou-lhes contar um segredo, vocês não precisam de ninguém, ninguém nasce ao meio. Uma dica: parem de procurar pela ilusória metade perdida, e se olhem no espelho. Ainda assim, sempre penso que nós precisamos dos outros (de todos). Nós não somos sozinhos. Nós não somos completos.