Como é difícil crescer. Como é difícil deixar que ele cresça. Como é difícil entender que ele, mesmo pequenininho, já tem seus perrengues, suas barreiras a serem vencidas. Como é difícil deixar que ele as vença sozinho. O mundo não pára. Ele está no mundo, como eu estou também. Se eu, inevitavelmente, passo por conflitos, por que ele não vai passar? O meu filho é do mundo, assim como eu. O meu filho é sociável, como eu. O meu filho existe além de mim. Tão difícil. Mas é tão bom. É tão bom! Muito bom vê-lo passar pelo tempo, saudável, feliz. Tão maravilhoso ouvir dele o que ele quer e o que ele não quer. Tão bom saber sobre ele, o que ele pensa, o que ele gosta, o que ele não gosta. Tão bom. Tão bom assistir ao seu despertar. Tão bom comemorar uma vitória que é dele, só dele. Porque conseguir abrir e fechar um pote de biscoito, meus amigos, diz muita coisa. E a principal é: eu sou capaz.
A terra vermelha levanta e sai tingindo tudo, as árvores, os caules, as folhas. As pedras, e os animais. Tudo fica rubro. Vermelho, quente, forte. A terra levanta do chão em forma de nuvem de poeira. A poeira deixa tudo vermelho. A paisagem agora é cobre, resultado do vermelho atingido pelos raios de sol. O amarelo do sol e o vermelho da terra, resultam no cobre. A equação do que eu via. Do que estava na minha frente. Parecia um jogo de cores, um degradê do vermelho. De baixo pra cima, o vermelho ia mudando de tom, de temperatura, até chegar no céu que, às vezes, não era mais azul e sim a fase mais clara do vermelho. Era uma paisagem marrom, acobreada, vermelha. A paisagem do sertão, de terra fértil. Vermelha. De poeira, de sol, dos raios de sol e do vento. O sertão dos meus olhos.
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