Terça-feira, Abril 17, 2012

Eu preciso aprender a só ser

Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.

Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.

Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser." (Gilberto Gil)

- Eu queria ter escrito isso, Gil!

Quarta-feira, Março 21, 2012

Às vezes

Às vezes quero ver uma pintura, uma fotografia, que ainda não existem. Quero ouvir uma música que ainda não criaram, e que seja a mais bonita e completa de todas. Às vezes quero ver, pegar, sentir a beleza que ainda não apareceu.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

Carnaval diferente

Foto: Gilvan Reis/iBahia

Salvador viveu um carnaval diferente este ano. A tentativa de viver de novo momentos especiais do passado modificou, ainda que superficialmente, a estrutura da folia, que vinha congelada há tempos. Até esse ano, os chamarizes da festa, pelo menos para os que são de fora e nunca souberam - porque não fazia parte da vitrine carnavalesca - o quanto é bom sair atrás do trio, livre, leve e solto, eram somente os blocos com cordas, os camarotes.

Em 2012 o folião pode diversificar na sua escolha: Por que não ir atrás do trio de Chiclete com Banana e Banda EVA, sem cordas? Quem já pensou que um dia a multidão que acompanha o trio do Chiclete com Banana se transformasse em uma só? Sem segregação. Que a pipoca não ficasse espremida pelas cordas de aço do majestoso bloco chicleteiro? Pois bem, este ano isso se realizou, e os foliões saíram mais felizes.

Durante a festa, ouvi de um amigo que esse ano o Carnaval foi para o pobre. Mas eu mudaria um pouco essa definição dizendo que esse ano o carnaval começou a voltar a ser do folião que só leva a alegria no bolso, e a vontade espontânea de se misturar na procissão que segue atrás do trio elétrico, e que sonha desde o primeiro dia estar presente no Encontro de Trios na Praça Castro Alves, do último dia de Carnaval. E esse ano foi um verdadeiro espetáculo, comandado por Saulo, Moraes Moreira e Luiz Caldas. Valeu a pena ter esperado.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Vontade de espalhar


Minha senha é literatura. Na minha decoração sempre tem livros. Meus conselhos partem do que já li, do que já vivi. Sonho com páginas abertas, com letras saltando. Final de tarde e brisa, são sinônimos de uma rede e um livro, para mim. Entre as minhas metas de ano em ano, sempre está: ler todos os livros que ganhei (embora não tenha conseguido cumpri-la). Tenho histórias guardadas. Tenho vontade de livro... de escrever, de espalhar em uma mesa, de espalhar.... De espalhar.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Violoncelo


Ouvir o som do violoncelo estimula a inteligência. Fato.

Quinta-feira, Novembro 17, 2011

Pílulas diárias de alegria

Passar nos mesmos lugares todos os dias e quase nos mesmos horários tem as suas vantagens. Cria-se vínculos com pessoas que não sabemos o nome, origem, gostos... Mas de tanto "encontra-las", acompanhamos a rotina, o humor, a roupa do dia... E quando esses encontros são pela manhã, o vínculo é ainda maior, por ser o início de um novo dia. Compartilhamos de longe a preguiça matinal, a força renascendo para cumprir mais uma batalha diária. "Bom dia! Vamos nessa, a gente consegue!" , nos falamos de longe, um para o outro, pelos olhos.

Falo isso tudo porque é o que eu tenho vivido. Minha vida foi arrebatada por regras e horários a cumprir. No início, é duro... parece que estamos sendo engolidos, ou amarrados em cada perna e braços, como se fôssemos uma marionete, e agimos e nos movimentamos sob a ordem da rotina. Mas ai, foi observando ao redor, que comecei a enxergar as partes boas dessa mudança. Saindo de casa pela manhã, sempre no mesmo horário, e passando pelos mesmos lugares, já cultivei amigos. Que viraram amigos só de longe. Se não amigos, companheiros. Parceiros do dia. Porém, o que me chama mais atenção e me faz sorrir ao volante, é quando encontro os mesmos guris indo para a escola. Ah! É incrível! É lindo!

Em especial, sempre encontro com um garotinho e uma garotinha, em partes diferentes do meu trajeto. Ela, acompanhada do irmão (protetor, ao que parece), é uma linda menina de, aparentemente, quatro anos. Sempre de rabo de cavalo, com a fardinha do colégio, e mãos dadas com o irmão, sobe a íngreme e cansativa Ladeira do Funil - que liga o bairro de 7 portas ao Barbalho - com um sorriso enorme no rosto! Uma danadinha, de cabelos impecavelmente presos (talvez penteados pela mãe), que sai distribuindo doçura por aquele lugar tão movimentado, onde o fluxo de carros e pessoas é enorme, pela manhã. Ao subir a ladeira, ela é cumprimentada pela moça que vende jornal, e a retribui sempre com uma gargalhada gostosa, e segue seu caminho, acompanhada do irmão. E eu, fico do carro, olhando a mocinha, e sorrindo sozinha, por causa dela.

Mais a frente, depois de passar pelo Dique do Tororó, encontro ele que, de tão lindo, me tira o fôlego! O pirralhinho, que parece ser um pouco mais novo que a princesa da Ladeira, adora usar acessórios! E, cá pra nós, sempre com um número maior! O boné na cabeça, que ele fica segurando, talvez para não perder, encobre um pouco o seu rosto, e às vezes, empata a visão daqueles olhinhos alegres. O que não é um problema para o miúdo ... porque ele se sente o rei! Quando não é o boné, ele usa um relógio, que samba no bracinho fininho de criança, e que parece ser um daqueles super modernos, cheios de funções. Ai o pequeno fica exibindo o braço, suspendendo-o, balançando-o, todo serelepe! Uma figura super engraçada e encantadora... Ele sempre passa, de mãos dadas, com uma mulher, que eu não sei se é mãe ou irmã, porque é muito jovem. E o mais engraçado: enquanto ela anda no seu passo de adulto, ele tenta acompanha-la, com as suas perninhas curtas... ou seja, ele é quase arrastado! E eu, mais uma vez, me pego sorrindo, e morrendo de vontade de, um dia, abraçar e conversar com aquele serzinho tão divertido.

Resolvi escrever sobre o assunto, porque hoje, vindo para o trabalho, os pequenos me pareceram ainda mais encantadores! Sorriam mais, estavam ainda mais crianças. E me deixaram assim... transbordando de paz.. talvez seja esse o sentimento que me visita. Eu fico em paz, leve... pronta para tirar de letra a rotina que me invadiu.

Quarta-feira, Novembro 09, 2011

Bolhas de lembranças


Em tempos de fortes chuvas, um poema singelo de Cecília Meireles. Esse, em especial lembra a minha infância... acredito que devo ter lido em algum livrinho, alguma professora deve ter lido em sala de aula, ou talvez naqueles clips que passavam no programa Castelo Ra Tim Bum, quando o Gato lia um poema, na biblioteca do castelo... não sei, só sei que acho lindo. Lindo porque é delicado, simples... palpável.

BOLHAS

Olha a bolha d’água
no galho!
Olha o orvalho!

Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!

Olha a bolha na mão
que trabalha!

Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!

Olha a bolha
que molha
a mão do menino:

A bolha da chuva da calha !